quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
Chegou a véspera da partida...
«...A trepadeira era arrancada dos corações e trazia fibras atrás, dilacerando-os. Ambos temiam que fosse o princípio do fim. A grandeza e intensidadde do Amor não estavam em causa, nem a vontade em mantê-lo vivo e aceso. (...) Era na essência de cada um que amavam e se amavam. Nada poderia atentar contra isso, mas a dúvida pairava e dilacerava o coração. Nenhum dos dois se recorda das palavras da despedida.»
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
Em todas as ruas te encontro,
em todas as ruas te perco.
Conheço tão bem o teu corpo...
Sonhei tanto a tua figura,
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura...
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu...
Num rio que desapareceu...
onde um braço teu me procura.
Em todas as ruas te encontro,
em todas as ruas te perco...
[Cesariny]
em todas as ruas te perco.
Conheço tão bem o teu corpo...
Sonhei tanto a tua figura,
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura...
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu...
Num rio que desapareceu...
onde um braço teu me procura.
Em todas as ruas te encontro,
em todas as ruas te perco...
[Cesariny]
... Laços fortes ...
«... São fortes os laços criados pelo enamoramento, porque continuamos a amar mesmo quem nos faz sofrer ... é um laço forte o amor consolidados por uma vida vivida em comum, em que cada um se tornou indispensável para o outro, tanto que, quando um deles morre, o outro muitas vezes morre também ...»
(Francesco Alberoni in Sexo e Amor, Bertrand, 2005)
(Francesco Alberoni in Sexo e Amor, Bertrand, 2005)
domingo, 28 de janeiro de 2007
Como aliviar a dor do que nao foi vivido?
"Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional."Carlos Drummond de Andrade
Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional."Carlos Drummond de Andrade
sábado, 27 de janeiro de 2007
Todas as prendas que me deste, um dia,
guardei-as, meu encanto, quase a medo,
e quando a noite espreita o pôr-do-sol,
eu vou falar com elas em segredo ...
E falo-lhes d'amores e de ilusões,
choro e rio com elas, mansamente...
pouco a pouco o perfume do outrora
flutua em volta delas, docemente ...
Pelo copinho de cristal e prata
bebo uma saudade estranha e vaga,
uma saudade imensa e infinita
que, triste, me deslumbra e m'embriaga.
O espelho de prata cinzelada,
a doce oferta que eu amava tanto,
que reflectia outrora tantos risos,
e agora reflecte apenas pranto,
e o colar de pedras preciosas,
de lágrimas e estrelas constelado,
resumem em seus brilhos o que tenho
de vago e de feliz no meu passado...
Mas de todas as prendas, a mais rara,
aquela que mals fala à fantasia,
são as folhas daquela rosa [vermelha]
que a meus pés desfolhaste, aquele dia...
Florbela Espanca
guardei-as, meu encanto, quase a medo,
e quando a noite espreita o pôr-do-sol,
eu vou falar com elas em segredo ...
E falo-lhes d'amores e de ilusões,
choro e rio com elas, mansamente...
pouco a pouco o perfume do outrora
flutua em volta delas, docemente ...
Pelo copinho de cristal e prata
bebo uma saudade estranha e vaga,
uma saudade imensa e infinita
que, triste, me deslumbra e m'embriaga.
O espelho de prata cinzelada,
a doce oferta que eu amava tanto,
que reflectia outrora tantos risos,
e agora reflecte apenas pranto,
e o colar de pedras preciosas,
de lágrimas e estrelas constelado,
resumem em seus brilhos o que tenho
de vago e de feliz no meu passado...
Mas de todas as prendas, a mais rara,
aquela que mals fala à fantasia,
são as folhas daquela rosa [vermelha]
que a meus pés desfolhaste, aquele dia...
Florbela Espanca
sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
Se tanto me dói que as coisas passem
é porque cada instante em mim foi vivo
na busca de um bem definitivo
em que as coisas de Amor se eternizassem.
Pudesse eu não ter laços nem limites...
Oh vida de mil faces transbordantes
p'ra poder responder aos Teus convites
suspensos na surpresa dos instantes
... Sophia de Mello Breyner
é porque cada instante em mim foi vivo
na busca de um bem definitivo
em que as coisas de Amor se eternizassem.
Pudesse eu não ter laços nem limites...
Oh vida de mil faces transbordantes
p'ra poder responder aos Teus convites
suspensos na surpresa dos instantes
... Sophia de Mello Breyner
Como vou deixar você
Se eu te amo?
Sei que a minha vida anda errada
e que já deixei mil furos, mil mancadas...
talvez esteja andando em linhas tortas,
mas por enquanto eu vou te amando é o que me importa
mas você também não é rota principal
e toda estrada tem um final...
Eu quero saber é...
Como vou deixar você se eu te amo?Alguém me diz?!? Como deixamos de amar? De sentir?
Se eu te amo?
Sei que a minha vida anda errada
e que já deixei mil furos, mil mancadas...
talvez esteja andando em linhas tortas,
mas por enquanto eu vou te amando é o que me importa
mas você também não é rota principal
e toda estrada tem um final...
Eu quero saber é...
Como vou deixar você se eu te amo?Alguém me diz?!? Como deixamos de amar? De sentir?
quinta-feira, 25 de janeiro de 2007
Não entendo...
O que levará as pessoas a mentir? Ou melhor, o que levará as pessoas a omitirem certos 'acontecimentos'? Tenho dúvidas que não saibam que está errado! Então, porque o fazem?!?
Por muito que custe admitir um erro, um 'deslize'... porque não admitir?!? Porque não ser honesto consigo e com os outros?!?
Porque não admitir que, como humanos, errámos, caímos "em tentação"?
Porque não assumimos o que fazemos?!?
Nada disso!!!
Ao invés, omitimos, mentimos e, nesse comportamento, magoamos quem (realmente) gosta de nós!
Não entendo...
Porque não dizer: já não gosto de ti! Não era mais simples?!? Não digo mais fácil, mas evitava o arrastar de certas situações que só podem terminar com mágoa e dor... pelo menos, para uma das partes.
Não entendo...
E custa-me não entender...
Custa-me que me mintam....
Por muito que custe admitir um erro, um 'deslize'... porque não admitir?!? Porque não ser honesto consigo e com os outros?!?
Porque não admitir que, como humanos, errámos, caímos "em tentação"?
Porque não assumimos o que fazemos?!?
Nada disso!!!
Ao invés, omitimos, mentimos e, nesse comportamento, magoamos quem (realmente) gosta de nós!
Não entendo...
Porque não dizer: já não gosto de ti! Não era mais simples?!? Não digo mais fácil, mas evitava o arrastar de certas situações que só podem terminar com mágoa e dor... pelo menos, para uma das partes.
Não entendo...
E custa-me não entender...
Custa-me que me mintam....
quarta-feira, 24 de janeiro de 2007
... Eu não existo sem você ...
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim,
que nada nesse mundo levará você de mim...
Eu sei e você sabe que a distância não existe
que todo grande amor só é bem grande se for triste...
Por isso, meu amor
não tenha medo de sofrer
que todos os caminhos
me encaminham pra você...
Assim como o oceano
só é belo com luar
assim como a canção
só tem razão se se cantar
assim como uma nuvem
só acontece se chover.
Assim como o poeta
só é grande se sofrer...
Assim como viver
sem ter amor não é viver...
Não há você sem mim
eu não existo sem você...
(Tom Jobim e Vinícius de Moraes)
que nada nesse mundo levará você de mim...
Eu sei e você sabe que a distância não existe
que todo grande amor só é bem grande se for triste...
Por isso, meu amor
não tenha medo de sofrer
que todos os caminhos
me encaminham pra você...
Assim como o oceano
só é belo com luar
assim como a canção
só tem razão se se cantar
assim como uma nuvem
só acontece se chover.
Assim como o poeta
só é grande se sofrer...
Assim como viver
sem ter amor não é viver...
Não há você sem mim
eu não existo sem você...
(Tom Jobim e Vinícius de Moraes)
Hoje sonhei contigo...
Deitei-me a pensar em ti... O que estarias a fazer? Será que também pensavas em mim? Ou nem por isso...
E sonhei contigo! Juntos, passeávamos de mãos dadas e sorriamos. Nada mais existia, nada mais para além de nós dois e nada mais era necessário...
De manhã cedo olhei para o meu lado e estavas lá! Dormias profundamente... Sorri para ti! Estava feliz...
Um som interrompeu esse momento... acordei! Abri os olhos e não te vi... :(
Hoje acordei a pensar em ti...
E sonhei contigo! Juntos, passeávamos de mãos dadas e sorriamos. Nada mais existia, nada mais para além de nós dois e nada mais era necessário...
De manhã cedo olhei para o meu lado e estavas lá! Dormias profundamente... Sorri para ti! Estava feliz...
Um som interrompeu esse momento... acordei! Abri os olhos e não te vi... :(
Hoje acordei a pensar em ti...
terça-feira, 23 de janeiro de 2007
... Sei-te de Cor ...
Sei de cor
cada traço do teu rosto, do teu olhar
cada sombra da tua voz e cada silencio,
cada gesto que tu faças,
Meu Amor sei-te de cor...
Sei cada capricho teu e
o que nao dizes ou preferes calar, deixa-me adivinhar
nao digas que o louco sou eu
se for tanto melhor...
Amor sei-te de cor
sei porque becos te escondes,
sei ao pormenor o teu melhor e o pior
sei de ti mais
do que queria numa palavra diria
Sei-te de cor...
Sei cada capricho teu e o que nao dizes ou preferes calar
deixa-me adivinhar nao digas que o louco
sou eu se for tanto melhor.
Amor sei-te de cor... sei de cor cada traço do teu rosto, do teu olhar
cada sombra da tua voz e cada silencio, cada gesto que tu faças...
Meu amor sei-te de cor...
cada traço do teu rosto, do teu olhar
cada sombra da tua voz e cada silencio,
cada gesto que tu faças,
Meu Amor sei-te de cor...
Sei cada capricho teu e
o que nao dizes ou preferes calar, deixa-me adivinhar
nao digas que o louco sou eu
se for tanto melhor...
Amor sei-te de cor
sei porque becos te escondes,
sei ao pormenor o teu melhor e o pior
sei de ti mais
do que queria numa palavra diria
Sei-te de cor...
Sei cada capricho teu e o que nao dizes ou preferes calar
deixa-me adivinhar nao digas que o louco
sou eu se for tanto melhor.
Amor sei-te de cor... sei de cor cada traço do teu rosto, do teu olhar
cada sombra da tua voz e cada silencio, cada gesto que tu faças...
Meu amor sei-te de cor...
segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
domingo, 21 de janeiro de 2007
«... Amor ...»
...Amei de todas as formas e feitios,
amor de matéria universal,
amor de misticismos universais,
amor que se confessa amar,
amor que se demora longe
em todos os tempos do verbo amar.
Amei, distraído nas nuvens,
inventando o começo dos nossos dias,
na exacta posição de se amar.
Amei, em cada viagem que te olhei,
na respiração da carne,
no estremecer de luz do nosso sonho.
Amei-te no acto imortal dos que amam.
Amei-te. Amei. Ainda amo.
Vagueio no espírito do lugar amar.
Ressaco a palavra amor...
[Daniel Camacho]
amor de matéria universal,
amor de misticismos universais,
amor que se confessa amar,
amor que se demora longe
em todos os tempos do verbo amar.
Amei, distraído nas nuvens,
inventando o começo dos nossos dias,
na exacta posição de se amar.
Amei, em cada viagem que te olhei,
na respiração da carne,
no estremecer de luz do nosso sonho.
Amei-te no acto imortal dos que amam.
Amei-te. Amei. Ainda amo.
Vagueio no espírito do lugar amar.
Ressaco a palavra amor...
[Daniel Camacho]
...Ao coração que sofre...
Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.
Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.
E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;
E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.
Olavo Bilac
Subscrever:
Mensagens (Atom)

