sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

«Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.
»
Pablo Neruda


Somente uma parra... - Foto de Maria Teresa Branco

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Eterno...

«Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.

Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorris
e minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorrie me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.»
... Pablo Neruda, O poço

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Ontem sonhei contigo...

Estávamos a conversar sobre ti, sobre mim...
Ano Novo... Novos projectos, objectivos, ideias...

Revelaste os teus projectos, os teus receios, as tuas dúvidas. Ouvi, como sempre. E respondi, como sempre. Sincera, como sempre.

Como sempre, acho que independentemente de tudo, de todos, deves sair de onde (dizes tu) não estás bem, onde (dizes tu) não és feliz.

E tu, projectos? - Perguntaste.
Eu?!? Tenho pensado muito nessa pergunta e apenas uma resposta vem ao meu pensamento: SER FELIZ!
:P

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Num ano novo, acredito que...

...hão-de haver sempre motivos para sorrir.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

2008...

Terminaram as 12 badaladas do sino da Igreja e falei com a minha família...

Num momento de abraços, sorrisos, beijos e carinhos, senti-me só!
No meio de tanta gente que tinha a quem dar "aquele" abraço, "aquele" beijo, "aquele" sorriso que transmite tantas promessas, eu não tinha ninguém... Não te tinha ali comigo!

Logo tentei colmatar essa falta... mas as linhas estavam sobrelotadas e a ligação ia abaixo e quando o telefone tocava não atendias.
Onde estarias? - perguntei a mim mesma. Distanciaria-nos um oceano ou apenas alguns quilómetros?
Estarias como eu? Ou, pelo contrário, nos braços de alguém com quem trocavas "aquelas" palavras e promessas de inicio do ano?

Há muito que penso "existimos" apenas no meu pensamento... Mas algo sempre me diz que não! E tu, por vezes o teu olhar trai-te... Como da última vez que nos encontramos.
Ou serei eu a ver algo no teu olhar que não existe?
Tantas perguntas! E nenhuma resposta... (Promissor, para início de ano, hein?!?)
Porque não me dizes o que queres?!?!!? Ou não queres...?
Porque não me dizes que sentes?

[Preciso dizer-te, novamente, que sinto a tua falta! Do teu cheiro, do teu toque, do teu abraço, do teu sorriso, da tua voz! Sinto falta da nossa cumplicidade, do que sou contigo...
Um dia, quando quiseres (verdadeiramente) correr mundo e correr perigo ou arriscar... e se o quiseres fazer comigo ao teu lado... (quem sabe?!? ainda) estarei aqui....
]

Só que a vida não pode ser esta eterna dúvida!
Não podemos viver à sobra de um passado e de algumas palavras ou gestos que nos alimentam a esperança.

Pois bem...

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade, uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade