quarta-feira, 27 de junho de 2007

«A minha filha perguntou-me
o que era para a vida inteira
e eu disse-lhe que era para sempre.
Naturalmente, menti,
mas também os conceitos de infinito
são diferentes: é que ela perguntou depois
o que era para sempre
e eu não podia falar-lhe em universos
paralelos, em conjunções
e disjunções de espaço e tempo,
nem sequer em morte.
A vida inteira é até morrer,
mas eu sabia ser inevitável a questão
seguinte: o que é morrer?
Por isso respondi que para sempre
era assim largo, abri muito os braços,
distraí-a com o jogo que ficara a meio.
(No fim do jogo todo,
disse-me que amanhã
queria estar comigo para a vida inteira)»
Ana Luísa Amaral, SILOGISMOS

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Um cheiro tão familiar... Aquele cheiro que se entrenha na nossa pele e parece nunca mais querer sair...
São momentos que passam diante dos nossos olhos nas alturas mais desconcertantes.
Tanta coisa que nos faz transportar para bem longe! Para outro tempo! Para outros lugares!

E sentimos...! Como sentimos todos esses momentos! É como se os estivessemos a viver, naquele instante!
Perguntamo-nos "porquê"?!?
Porque teima o nosso coração a trair a nossa razão! Porque teima em desobedecer?
Que significarão todas estas palpitações? Este coração descompassado que nos deixa angustiados...
Dor? Sofrimento?
Ou serão, tão somente, saudades?

De que importa rodearmo-nos de muita gente, mudarmo-nos de país, se o que o nosso coração nos diz é que estamos sozinhos... E deseja que fiquemos...

Porque é tão difícil domar o nosso coração?
Mostrar que está errado... Que o que deseja não pode ser...
Como mostrar-lhe a razão e convencê-lo que também se engana?!?
Como...?

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Acordei com o coração descompassado...
Sinto-o muito apertado... angustiado, até...
Que aconteceu?

Como há uns tempos atrás, o primeiro pensamento que me assolou foste tu! Como estarás?
Este mau-estar... Aconteceu alguma coisa?
Ver-te, falar-te...
Apetece-me tanto!

Lá está o meu coração a dar sinais de si...
Eu que tanto o tenho controlado!
Pergunto-lhe...
- Ouvir-te, para quê?
E sussurro-lhe: shiuuuuu...

sábado, 16 de junho de 2007

segunda-feira, 11 de junho de 2007

« [...] Seguir a lógica difícil e singular da paixão, e os arroubos emocionais da inteligência, atentar no ponto de fusão de ambas e no ponto onde se separavam, em que momento estavam em uníssono e em que momento divergiam - o prazer que dessa actividade se retirava! Que importava os custos que tinha? Jamais se podia pagar um preço demasiado elevado por uma sensação. [...] »
[in O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde - Clássicos Relógios d'Água]

domingo, 10 de junho de 2007

Uma música que ficou...

... de uns dias MARAVILHOSOS! A S..... canta bem melhor! ;)

Mireille Mathieu, Une femme amoureuse

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Paris...

... c'est extraordinaire! Magnifique!!!

;)

terça-feira, 5 de junho de 2007

domingo, 3 de junho de 2007

Encantei-me com as nuvens, como se fossem calmas locuções
de um pensamento aberto. No vazio de tudo
eram frontes do universo deslumbrantes.
Em silêncio via-as deslizar num gozo obscuro
e luminoso, tão suave na visão que se dilata.

Que clamor, que clamores mas em silêncio
na brancura unânime! Um sopro do desejo
que repousa no seio do movimento, que modela
as formas amorosas, os cavalos, os barcos
com as cabeças e as proas na luz que é toda sonho.

Unificado olho as nuvens no seu suave dinamismo.
Sou mais que um corpo, sou um corpo que se eleva
ao espaço inteiro, à luz ilimitada.
No gozo de ver num sono transparente
navego em centro aberto, o olhar e o sonho.

António Ramos Rosa, Nuvens

sábado, 2 de junho de 2007

Hoje sonhei contigo...

«Nenhum relato de um sonho pode transmitir a sensação de sonho: o misto de absurdo, surpresa, espanto.Aquela sensação de se estar prisioneiro do inacreditável - a verdadeira essência dos sonhos.»
Joseph Conrad, Heart of darkness