sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

«Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.
»
Pablo Neruda


Somente uma parra... - Foto de Maria Teresa Branco

4 comentários:

Anónimo disse...

"O que me dói não é o que há no coração, mas essas coisas lindas que nunca existirão...
São as formas sem forma que passam sem que a dor as possa conhecer ou as sonhar o amor.
São como se a tristeza fosse árvore e, uma a uma, caíssem suas folhas entre o vestígio e a bruma".

(F. Pessoa)

un altro se disse...

"O que me dói não é..." :)

Um poema que fala de/a tristeza de uma forma que Fernando Pessoa tão bem sabia descrever... Racional. Queixa-se da ausência, do que não tem... de um futuro que talvez nunca venha a chegar...

Porquê este poema?
Afinal, qual o moral da (sua ou desta) história?!?

Anónimo disse...

Sabe o que é? A poesia de Neruda e a imagem da folha seca boiando na água causaram-me impressões opostas. Neruda me levaria a imaginar uma folha trêmula que, ao sabor dos ventos, agarraria-se aos cabelos, à pele... Mas esta parra está prestes a ser levada pela correnteza ou a apodrecer no leito do rio.
a-moral-da-história? É apenas um apelido que imaginei para uma personagem que hesita em saber se há ou não conclusão moral nas histórias que vive.
Mas isso tem a ver com a minha história.

un altro se disse...

Entendo...
Visto o postal do seu prisma não posso deixar de lhe dar razão.

Sou de opinião que todas as histórias, estórias, momentos que vivemos nos deixam algo... de bom, de mau... enfim! Porque não, uma "moral" em cada uma delas?!? Nós somos o resultado da soma de todas essas histórias. São elas - e aquilo que nos ensinam - que nos tornam no que somos.

[Não concorda?]